Esse é o diário de bordo da minha aventura na metrópole do mundo.


Aniversário de Casamento



Já tô na fila para o dia que isso for possível
Como todos os maridos do planeta, sempre soube que um dia acabaria esquecendo do meu aniversário de casamento, mas não poderia ter sido este ano. Este ano eu estou longe demais pra esquecer. Hoje completam 8 anos que dissemos "sim, eu aceito".

Tenho uma memória realmente problemática com esse negócio de datas, vivo esquecendo do aniversário de todo mundo. Meu pai já foi diversas vezes agraciado com um silênciao solene, minha mãe idem e todas as minhas 5 irmãs já deixaram de receber a minha ligação de feliz aniversário em algum momento (importante) de suas vidas. Meus avós, tios, primos e amigos, se não me convidarem pra festa não envelhecem nunca. Difícil é fazer o esquecido entender que não é descaso e sim uma deficiência mnemônica. Tem gente que não consegue lembrar no número do seu CPF, eu não lembro de datas.

Apesar de ter esquecido da data, nunca me arrependi de ter tomado essa decisão. Minha esposa me deu uma filha linda, um casamento estável e os pés no chão. Ela é minha cara-metade. A metade que não esquece das datas, que não deixa de pagar as contas, que me traz de volta pro chão quando estou voando muito alto. É a companheira que sempre me dá suporte pra fazer as minhas loucuras, é quem está sempre disposta a apostar comigo, quem (apesar de reclamar) nunca diz "não", sempre diz, "quem sabe desse outro jeito?"

Desculpa por ter esquecido, Neny. Te amo demais. Espero que você me perdoe.

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Colaborative Stand-up Comedy




Um dos meus roommates está voltando para o Brasil hoje e para celebrar a última noite do rapaz na cidade fomos a um concurso de stand-up comedy. O nome do lugar: Pinetree Lodge (326 E 35th @ 1st Avenue). No anúncio, cada participante teria 5 minutos pra fazer a platéia rir e o melhor da noite levaria um prêmio em dinheiro. Era a propaganda enfeitando a realidade.

Chegamos a um bar minúsculo, com cabeças de alce penduradas nas paredes de toras, tal qual uma cabana de caça. Um sofá, algumas almofadas no chão, 3 mesinhas dessas com bancos altos e um palco de 1,5m2. Um dos caras que estava comigo virou e perguntou: é aqui mesmo? Segundo o anúncio, sim.

Pontualmente 9pm subiu ao palco um host afro-americano muito mais-ou-menos que tentou fazer algumas piadas. O lugar era tão pequeno que você acabava rindo pra colaborar com o cara, pra não deixar ele muito sem-graça, mas tinha vezes que não tinha como. E começaram as apresentações... Você já se imaginou de pé em um degrau (era assim que o palco parecia), tentando ser engraçado em um microfone com aquele eco de caverna? Dá dó, gente. Mas tinha tão pouca gente que se um risse, valia a piada. Eu tentava rir sempre.

Seis corajosos subiram no degrau, apenas 2 conseguiram algumas risadas verdadeiras.

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Bad News


Notícias não muito boas a todos que prometi "pouso" em NYC: meu senhorio pediu que saíssemos no fim de janeiro, pois alugou o apartamento em regime anual pelo dobro do preço que pagamos. Estou homeless again. Assim que tiver novas (espero que boas) comunico a todos.

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January 14th



Adiós vida cucaracha!
Talvez este seja o dia mais esperado desta viagem. Não é nenhum número cabalístico, nenhuma data mística ou superstição, é apenas o dia que finalmente deixarei de ser cucaracha. Amanhã começo na Tipton & Maglione e deixo pra trás as bolhas nos pés e a tradicional estupidez que acomete os detentores do pequeno poder.

Meus dias trabalhando como Metrô-boy foram singulares. Cada um dos cinco aflorou sentimentos completamente diferentes, alguns bons, outros nem tanto. No primeiro dia me senti aliviado por ter um emprego e finalmente fazer algum (mesmo que pouco) dinheiro nas terras do Tio Sam. Foi um dia tranquilo, andando por Nova Iorque e cantarolando no metrô. No segundo dia me senti com 15 anos, sendo pago apenas para andar. Ninguém esperava que eu fosse genial ou pensasse em nada, só precisava caminhar. E caminhei pra caramba. O terceiro dia veio com algumas bolhas nos pés e acabei lembrando que tenho um pouco mais de 15. No quarto dia as bolhas estavam lá desde 8h da manhã e tornaram a tarefa de caminhar um tanto sacrificante. Neste dia também tive alguns problemas com a responsável pelo RH da Thunderball. Não sei quanto tempo faz que a moça não vê um cobertor de orelhas, mas me negou uma assinatura necessária para validação do meu visto alegando "falta de tempo", e o fez com uma rudeza sem par. No último dia descobri que a empresa paga toda sexta-feira, como havia me dito a tal senhora necessitada, mas na sexta subsequente à semana trabalhada, ou seja, grana só na sexta que vem. Ao perguntar quanto seria essa grana recebi uma resposta à altura das outras: "não estou autorizado a falar sobre isso." As bolhas estavam maiores e meu saco também. Quase mandei todos visitarem suas mães, que como 99% das genitoras nova-iorquinas, devem ser senhoras de vida fácil.

Graças ao bom Deus que isso acabou. Na segunda começo em um emprego de verdade. Todas as minhas conversas com Judy Tipton se deram com base no respeito mútuo e reconhecimento pelo talento de cada um. Amanhã finalmente serei um Foreign-born.

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Where is the bathrooms?



Estou com medo de associar essa logomorca a banheiro e não conseguir mais tomar o café deles
Essa tal de Nova Iorque é mesmo uma cidade esquisita. Nunca vi um lugar em que não existem banheiros nas lojas, restaurantes, lanchonetes, cafés, supermercados, etc. Uma coisa tão simples obrigatória pra qualquer birosca no Brasil, aqui é luxo. O pensamento dominante é "vá cagar em casa, pô!". Quem me conhece um pouco sabe que não está sendo fácil enfrentar esse "entrave cultural". Depois de muito garimpar, encontrei algumas boas almas caridosas que pensam na limpeza da cueca do próximo: a Apple Store da 5th Avenue (sempre ela), as lojas do Starbucks e da Barnes & Nobles – uma loja de computadores, uma rede de cafeterias e uma rede de livrarias, respectivamente. Santas criaturas que entendem as necessidades fisiológicas alheias.

Não me dei o trabalho de contabilizar, mas certamente tem menos de 1 banheiro "público" para cada 1000 habitantes dessa cidade, o que acarreta filas imensas e longos minutos de espera depois de achar uma dessas santas-casinhas. Qualquer dia desses eu passo vergonha.

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Uma vida meio Hopi-Hari


Morar em NYC é viver uma montanha-russa de emoções. Acordei esta manhã superdisposto a – depois de mandar alguns resumés – contar pra vocês sobre o apartamento que aluguei. Ao chegar na quinta avenida, percebi que tinha que comprar créditos pro celular. Aqui eles cobram tanto pra ligar quanto pra receber (mesmo valor) e quando os créditos acabam o celular morre. Como é que alguém vai me contratar se não puder falar comigo? Até aí, tudo bem. Coisa mais-que-normal comprar crédito pra celular... mordi a língua. Estando na 5th Avenue, caminhei cerca de 20 blocks atrás da porcaria do cartão da T-Mobile. Ok, uma caminhada forçada no frio, mas isso não é motivo pra ficar chateado, não é? Vamos em frent... mordi a língua outra vez. Ao tentar pagar pelo cartão porcaria suspeitei pelo saldo do cartão que o turco tinha me passado a perna no aluguel da Van (vou falar disso em seguida). Vinte blocks de volta, morrendo de raiva daquele turco fdp (virou fdp no terceiro quarteirão, daí pra frente só piorou) pra checar se a suspeita se confirmava. Graças a Deus era só suspeita. Já tava pensando em como eu ia jantar...

Em apenas duas horas fui de feliz a P da vida e voltei. Andei 40 blocks no frio (20 de ida e 20 de volta) e estou aqui, pronto pra começar o post. Nem o Beto Carreiro tem emoção assim...

Por volta das 11h da noite do último dia 23 encontrei um maluco que disse estar morando na casa de uma brasileira que encontrou no trem, que o marido dela era americano e que o irmão do cara tinha um apartamento no Harlem pra alugar. Perguntou se eu não estaria interessado. Depois de ver cada espelunca que mais pareciam o apartamento do Peter Parker no Spiderman 2 e 3 (no 1 ele mora com a Tia Mae e depois com o Harry em apt supercool), resolvi dar uma chance ao cunhado da brasileira. Eu e um outro brasileiro, meu roommate, Lucas. Quase 1h da manhã do dia 24 estávamos vendo um apartamento inacreditável por um preço parecido com o das espeluncas. Mudamos às 9h da manhã. O único problema era que o apartamento não tinha móvel algum além do fogão e da geladeira.

Na fé, entrei no oráculo de toda a NYC: o Craigslist pra ver se não tinha ninguém doando alguma coisa. E não é que tinha? Um casal mudando pra Israel estava doando quase toda a mobília. Só passar e pegar. Aluguei uma van (do turco fdp) na U-HAUL e fui buscar. Tudo o que vocês vêem nas fotos foi completamente FREE. Nem acreditei quando cheguei na casa dos judeus. Impressionante. Tanto a doação quanto a praticidade de você poder alugar uma van ou um caminhão e fazer sua própria mudança po US$ 19.90 + 0.95 por milha rodada. Na noite de natal estávamos com o apartamento pré-mobiliado. Só falta cama, garfo e faca.
Ah, o apartamento é no Harlem, Leo. Ponto pra mim!


Foto artística no apto limpo e arrumado (feita com o timer da câmera)


Bagunça na noite de natal



Banheirão com banheira


Até isso os judeus me deram


Cozinhando com uma chave de fenda


Sala e cozinha arrumadas

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Breakfast




A pior refeição do dia é o maldito Breakfast. No almoço ou na janta você escolhe entre McDonalds, Subway, Burger King ou Pizza e manda ver. Já sabe o que esperar. No café da manhã tudo é surpresinha. Parece que tudo é doce, tem cara de almoço ou é ruim pra caramba. Ontem pedi um Turkey Sandwich, pensando que viria alguma coisa com peito de perú e recebi um hambúrguer [pão e bife de peru]. Outro dia comi um croissant com omelete e hambúrguer.
Hoje, em mais uma tentativa frustrada, comprei um copo de iogurte com granola que estava bonitão na prateleira. Frutas picadas, iogurte com cara de caseiro, US$ 4.00. Abri o copinho , enfiei a colher de plástico e percebi a roubada. Tinha mais granola que iogurte. Tanta granola que o iogurte deixou de ser líquido e virou "pasta de granola". Como se isso não bastasse, o iogurte não era doce nem a granola tinha o tradicional melzinho na receita. Comi porque foi caro, mas depois tive que comprar um suco de pêssego pra tirar o gosto ruim da boca.

Que saudade de um pão francês com requeijão, chester e queijo prato.

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Nice days & Bad days



Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (em cartaz hoje nos melhores cinemas)

O mais difícil de morar em NYC sozinho é estar em NYC sozinho. Tem tanta coisa a ser compartilhada nessa cidade que a gente se sente aproveitando tudo pela metade. Não sei, talvez eu tenha acostumado a chegar em casa no fim do dia e dividir tudo o que aconteceu, comemorar os dias bons e ter um ombro pra chorar nos dias ruins, e isso faz falta. Vou usando o blog como palhativo.
A última quarta-feira foi um dia bom, o melhor que tive aqui até agora. Fiz minha primeira entrevista e tudo correu bem. Montei meu portfolio, cheguei no escritório na hora marcada e fui atendido por duas mulheres, uma CEO da empresa e outra Diretora de Marketing, Danielle e Liz. Meu inglês estava bom, fluente, conversamos bastante, gostaram do meu trabalho e nos despedimos com "vamos mandr um email pra você esta noite". Depois de sair dessa entrevista, fui até uma outra, roubada total, daquelas de vender livro infantil na rua, mas isso não abalou minha alegria. No fim do dia, passei na Apple Store da 5ª avenida (minha Lan House favorita) e li o email delas: pediram um flyer-teste. Ok, let's do it!
Ontem, em compensação, foi um dia ruim. Como não tenho computador ainda, cheguei na Apple Store cedinho para fazer o flyer-teste. Pra que ninguém more dentro da loja, não tem bancos ou cadeiras por aqui. Você pode usar qualquer computador que queira, pelo tempo que desejar, desde que fique de pé. OK, no problem, I can do it. Três horas depois - com as pernas formigando - estavam prontas 2 opções de flyer. Entrei então no Craigslist pra procurar um quarto pra morar. Achei um no Brooklyn, liguei, marquei uma visita, peguei o endereço e as DIRECTIONS (isso é fantástico aqui, depois escrevo um post só sobre isso) e fui pra lá. Pega trem, desce na estação tal, pega o ônibus tal e desce na Carlton Avenue.
- Ei, bus driver, você pode me avisar quando chegarmos na Carlton Av.?
- Of course I can!
Acho que meu inglês não é muito bom e eu não sei o que isso quer dizer. O FDP do motorista me levou até o fim da linha e nem desculpa pediu. Peguei o ônibus de volta e pedi a mesma coisa ao outro motorista. Mesma resposta. Mesma atitude. Se eu não fico ligado nas plaquinhas ia acabar no fim da linha outra vez. Cheguei no endereço. Um prédio fedorento, com lixo na porta, de frente pra um viaduto, com uma Deli (mercadinho) e uma Liquor Store (loja de bebidas) no térreo. Me atende uma ucraniana nojenta, estudante de arquitetura que esnoba quando descobre que eu sou brasileiro. Meu inglês ontem tava uma merda (isso é normal?). Ela mora num apartamento cocô, cheio de ratos e lixo e se acha no direito de esnobar alguém. Quantos Big Macs será que essa russa de merda comeu na infância? Resultado, rodei a tarde toda só pra ter raiva.
Andei um pouco no Brooklyn e peguei o trem de volta pra Manhattan. Desci na frente do Museu de História Natural mas era tarde pra pagar US$11,00 pela visita. Passei na Apple Store e fui pro hostel. Pra fechar o dia, tomei banho e esqueci minhas Thermo Pants (ceroulas) no banheiro. Acordei hoje pela manhã e alguém já tinha levado. Estou com as pernas congelando.

Hoje vou no cinema. Espero que o dia seja melhor.
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Neste exato momento tem um negão no computador do meu lado que abre fotos da Miranda Kerr, escreve alguma coisa num papel e fica mostrando pra tela do computador. Ele fica gesticulando, abrindo e fechando a boca como se falasse com ela, mas não emite nenhum som. Ele já tá fazendo isso tem umas 2h. Tem cada doido nessa cidade...

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Frio em NYC




O Jornal Nacional da última segunda-feira informou que o dia 1º de dezembro foi o mais frio do ano na cidade de Nova Iorque, e ainda nem é inverno. Segundo o site AccuWeather.com temperatura chegou a 27ºF (-2.8ºC) mas a sensação térmica ficou em 19ºF (-7.2ºC). Metereologistas afirmam que este deve ser o inverno mais rigoroso da década na cidade que nunca dorme. Já tô com medo dessa friaca...

Previsão do tempo para esta semana em NYC

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Leandro Tuxo é cristão, gaúcho publicitário, diretor de arte da Propague (SC), marido fiel e pai dedicado. (Não necessariamente nessa ordem).

Foi advertido diversas vezes sobre o alto custo de vida em New York City, mas não deu ouvidos aos pessimistas.

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